Primeiramente, parabéns pelo blog. Me sinto na obrigação de louvar atitudes como esta (de resgate das amizades, da história, enfim, da vida que uma pessoa levou com outra, mesmo que profissionalmente), pois no mundo individualista em que vivemos, tal ação tem se mostrado cada vez mais escassa.
Gostaria de dividir com todos que acessam o blog o sentimento que tomou conta de mim ao ver as fotos dos encontros, os textos publicados e ao saber que uma época, que foi essencial para minha criação, ainda respira, através dos pulmões de quem a viveu.
Meu nome é Saulo, sou filho do Silvio Luiz Alves e da Lauricy do Carmo Simão, ambos da TransBrasil. Tenho certeza que muitos não se lembrarão de mim, mas, felizmente, a recíproca não é verdadeira. Claro que uma família tão grande não cabe na minha memória, mas muitos que estão nas fotos dos encontros, residem nela. Alguns exemplos são, Bárbara, Sr. Gilson (na época diretor do São Paulo Futebol Clube), Arruda (na época delegado do GOE), o pessoal da auditoria, Fernando e Paulinho (protagonistas de um show de futebol, onde, literalmente bateram cabeça, fato que rendeu cicatrizes de guerra aos dois…rs), Marco Antônio (e seu inseparável cachimbo), Valdemar… o próprio Loiola, Cmte. Lázaro, Cmte. Riso, o meu ídolo Paes de Barros, o Nestor, da manutenção (creio que hoje na Tam), nossa… são tantos nomes… fato é que vocês, que trabalharam em CGH, são sim, responsáveis por um pedaço muito significante do meu ser, rs.
Hoje, tenho 23 anos, sou formado em publicidade e marketing, coordeno o departamento de Marketing de um escritório de Campinas, enfim, vivo disso. Minha cabeça está nisso. Mas meu coração é quem comanda meus olhos ao ouvir o ruído de um turbo-fan passando sobre mim. Desde a época da Creche da TransBrasil, até os meus 13 anos, eu visitava a sede da TransBrasil em CGH freqüentemente.
Me lembro como se fosse ontem daquela entrada do estacionamento ao lado do pátio da Líder…, onde, à minha esquerda, ficava o prédio onde estava, dentre outros, o depto. financeiro. Outrossim, à direita, o refeitório. Seguia a passos largos, já embalados pelo som dos testes de APU no fim da base, já perto do estacionamento de trás, para o prédio onde minha mãe trabalhava, na época na auditoria interna e, também na presidência da CIPA. Subia aquelas escadas verde-escuras, rapidamente para tentar visualizar ao menos uma pontinha do hangar num lugarzinho que ficava próximo aos banheiros daquele prédio. Quando tinha o movimento do 737-300 então, eu corria como um louco até a guarita da pista (entre a gráfica e o prédio da até então recém – criada Target). Ficava lá, plantado, segurando no alambrado e olhando… como um louco, o táxi dos “trêssetão”… lembro que ao lado da gráfica tinha uma sala onde ficavam vários pneus das aeronaves… Que época!
Logo tocava a sirene do almoço e vamos para a fila, na parte de trás do refeitório. Bandejão na mão e “Só pode pegar uma sobremesa, filho, mas toma a minha”…rs. Ficava mastigando e olhando para os quadros expositivos, onde tinha a foto do 737-400 voando em ala com o 767-200… de asas azuis…rs. Impossível não me empolgar. Vamos para o período da tarde. Frisson entre alguns que circulavam pelo pátio… tem algo extraordinário no areoporto… Aterrissagem do 767 em congonhas… temos que ver. Mágico. Momentos de tensão: a Mercedes azul marinho está chegando no estacionamento… Dr. Omar. Teve um dia que não teve jeito: o homem me viu e me chamou. Pensei: e agora, o quê que eu falo? E se ele brigar com minha mãe? “Você está perdido aqui, garoto?” “Não… só estou esperando minha mãe e vendo os aviões.” “ Ahhh, então estuda pra ser um bom piloto quando crescer.” Respondeu resignado enquanto me passou um chiclete. Único contato.
Eu sei: não tenho a mesma dimensão que vocês, que trabalharam tantos anos lá, mas saibam, que os poucos anos que eu pude freqüentar aquele ambiente, até 1998, para ser mais exato, foram vitais. Me contagiei. Tenho brevê de piloto privado, sou apaixonado por isso, mas quando entro no monomotor, cessna, aeroboero, ou qualquer outra coisa com asas e dou a ignição, penso comigo mesmo um P.A para os passageiros: “Srs. Passageiros, cordial bom dia. Quem vos fala é o comandante. Desejo a todos as boas vindas ao 767-200 da Transbrasil. O nosso tempo previsto de vôo é cerca de todos os anos do resto da suas vidas, com destino para a eterna lembrança. Peço a colaboração para respeitem os avisos luminosos de apertar cintos e não fumar, bem como para que mantenham suas poltronas na posição vertical e verifiquem também se as mesinhas a frente estão fechadas e travadas. Esta tripulação está honrada em recebê-los a bordo e espera revê-los em breve em uma de nossas aeronaves.” Eu é que fico honrado em poder participar, mesmo como coadjuvante dessa história de 7 cores. O arco-íris que nunca deixou os meus sonhos. Obrigado a todos vocês, responsáveis por isso. “tripulação, preparar para decolagem.”
Saulo Luiz Alves.